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Será instalado no município o primeiro Terminal de Contêineres (Tecon) privado do país, investimento de US$ 100 milhões: 44% dos grupos empresariais sócios do empreendimento (Conglomerado Battistella e Aliança Navegação Logística) e 56% do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
Ao Governo do Estado caberá injetar recursos na infra-estrutura da região portuária, tendo como prioridades o asfalto da SC 415, que liga o terminal à BR 101, fornecimento de água e energia, capacitação da mão-de-obra e apoio ao aperfeiçoamento do Plano Diretor de Itapoá, neste caso, em parceria com o município. A questão polêmica 'Porto de Itapoá' surgiu dez anos atrás. Leia esta reportagem especial.
O crescimento de 15% ao ano na demanda das operações portuárias faz Santa Catarina enfrentar sérias dificuldades no escoamento das exportações das indústrias da região. Vem daí o incentivo do Estado oficialmente registrado no dia 26 de agosto em Joinville, às 10 horas, na assinatura do convênio pelo governador Luiz Henrique da Silveira, o diretor do Tecon Santa Catarina, Hildo Battistella, e o diretor superintendente da Aliança, Julian Thomas. De Itapoá, estavam o prefeito Sérgio Aguiar e vereadores da ala governista.
O terminal terá capacidade instalada em sua primeira fase para movimentar 300 mil contêineres/ano, ampliando cerca de 50% os atuais 700 mil movimentos em São Francisco do Sul, Itajaí e Imbituba (os três portos do Estado). Já de início deve atender indústrias catarinenses e de outros estados nos seus embarques ao exterior, assegurar maior competitividade e cobrir ainda o fluxo de transbordo de cargas vindas da Argentina e do Uruguai. Num segundo momento o objetivo é ainda maior: alcançar 500 mil unidades/ano.
O projeto foi autorizado pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) e tem licença de implantação fornecida pelo Ibama. "Os levantamentos geomorfológicos deverão estar concluídos até dezembro, quando serão iniciados o estaqueamento do píer e das pontes de acesso, a terraplenagem, a pavimentação e outras obras do pátio de contêineres", garante o diretor do Tecon Santa Catarina, Hildo Battistella. Nestas obras de infra-estrutura portuária e no asfalto da SC 415, calcula-se que serão gerados mais de 400 empregos diretos. Posteriormente, quando da operação terminal, os números devem girar em torno de 300 empregos diretos e mil indiretos.
Sem agressão
Previsto para iniciar suas operações em 2007, o Tecon já começa com a garantia do atracamento da frota da Aliança Navegação. A empresa estará colocando o Terminal nas rotas de seus navios de maior capacidade, transformando-o num pólo de cabotagem para cargas vindas da Argentina, Uruguai e de outros portos brasileiros.
A Federação das Indústrias de Santa Catarina já constatou: a economia do estado necessita a cada ano de pelo menos mais um berço de atracação e 50 mil metros quadrados de pátios de contêineres, por isso, a construção em Itapoá terá cais de 1 quilômetro de extensão para receber três navios ao mesmo tempo. Por sua localização privilegiada, na entrada da Baía da Babitonga, o Tecon terá profundidade natural de 16 metros, sendo desnecessária a dragagem permanente ou periódica, o que o transforma no mais moderno terminal do Brasil e o único a receber os maiores navios do mundo.
Battistella explica que a concepção do terminal assegura a preservação da antureza em sua totalidade, garantindo a continuidade da praia o público. O píer de atracação dos navios estará afastado cerca de 200 metros da praia, sendo ligado ao pátio de contêineres por duas pontes suspensas - esclarece o diretor. "As pontes sairão do pátio de contêineres e passarão sobre a praia, o que não muda em nada a vida local" - reafirma Battistella.
Os empreendedores
O Conglomerado Battistella é composto de 13 empresas atuando há mais de 50 anos em diversos segmentos, como indústria madeireira (da floresta ao beneficiamento), comércio de caminhões pesados, de rolamentos industriais e automotivos, construção de equipamentos para geração de energia, transporte rodoviário de carga e construção civil. Está entre os 200 maiores grupos empresariais do país, segundo publicação do jornal Valor Econômico, com faturamento em 2004 de R$ 559 milhões. A previsão para este ano é de R$ 720 milhões.
Na área internacional também está presente com a Battistella Indústria e Comércio Ltda, e Battistella Trading S.A., comercializando madeira e outros produtos para a Europa, Estados Unidos e Ásia. Na visão do seu diretor, a Tecon Santa Catarina deve proporcionar mais presença do setor florestal de pinus no mercado externo. "O Brasil precisa de mais e mais portos, ao lado dos já existentes no Estado, nós, catarinenses, teremos um dos principais centros portuários do país e do Mercosul, prontos para operar navios de até 9 mil contêineres na costa brasileira." Os atuais são de 5,5 mil contêineres.
A história da Aliança Navegação e logística se confunde com a própria história da navegação comercial brasileira. Foi fundada no início da década de 50 pelo armador alemão Carl Fischer, com apenas um navio transportando frutas entre Brasil e Argentina. Com o seu crescimento e já atuando em toda Améria do Sul, Estados Unidos, Caribe e Golfo do México, o Grupo Oetker acabou adquirindo a Aliança em 1998. É o mesmo grupo proprietário da Hamburg-Sud, empresa alemã fundada em 1871. Em 2004 a Aliança faturou US$ 665 milhões e a previsão para este ano é de US$ 900 milhões, o que a coloca como líder no transporte de cabotagem. Oferece uma boa opção de rotas internacionais e opera em 12 portos nacionais, com uma frota de 31 embarcações, incluindo oito graneleiros.
A expectativa do Estado, como incentivador da obra, é de que a pavimentação de 28 quilômetros de estrada é a criação de um outro trecho de seis quilômetros possam ser inciadas em dezembro, o que deve custar aos cofres públicos R$ 38,7 milhões. Investimento via repasse de recursos do Fundosocial, Deinfra, Secretaria de Desenvolvimento Regional-Joinville e Prefeitura de Itapoá. Ainda entre estas medidas classificadas de extrema importância está a reestruturação das redes de água e energia da região portuária.
Perfil dos Investimentos
* Terminal para movimentação apenas de contêineres.
* Movimentação de 300 mil contêineres a partir do 3º ano e 500 mil unidades em cinco anos. O pátio terá 350 mil metros quadrados.
* Investimento de US$ 100 milhões tendo como empreendimento os sócios Conglomerado Battistella (70%) e Aliança Navegação e Logística (30%). Início da operação: 2007.
* Empregos gerados: 400 diretos na fase anterior à operação portuária e outros 300 na posterior, com a previsão de mil indiretos.
* Acesso pela Rodovia SC 415, que começa em Garuva no entrocamento com a BR 101, a ser asfaltada pelo desvio da Serrinha.
* O estudo de viabilização do porto e lei específica foram aprovados na primeira gestão do prefeito Sérgio Aguiar, dez anos atrás. A conclusão do projeto deve ocorrer, portanto, também na sua administração, que vai até o final de 2008.
Fonte: Prefeitura de Itapoá
JORNAL " O ESTADO DO PARANÁ" ( Hélio Miguel)
Mesmo com um calado superior a todos os outros portos da região sul, o terminal marítimo de Itapoá (litoral norte de Santa Catarina, divisa com o Paraná), fruto da iniciativa privada que deve entrar em operação até julho de 2010, não se vê como concorrente dos outros seis portos da região.
Focado no transporte de contêineres, o Tecon Santa Catarina vai operar com um calado de 16 metros de profundidade, o que permitirá o atracamento de navios de grande porte, capazes de transportar até 10 mil TEUs, que são contêineres de 20 pés (6,10 metros).
Especialistas avaliam que o novo porto certamente impactará sobre o movimento em portos vizinhos, como o de Paranaguá, no litoral do Estado. No entanto, a entrada do empreendimento na região sul pode representar um complemento às operações portuárias e até a formação de um eixo de comércio internacional que supere o litoral de São Paulo.
Recebendo investimentos de cerca de R$ 400 milhões na primeira fase do projeto, o porto foi concebido pela holding paranaense Batistella, que se uniu à Logística Brasil Fundo de Investimento e Participações, da BRZ Investimentos, criando a a Portinvest Participações, e recebeu ainda o estratégico investimento da Aliança Navegação e Logística e da Hamburg Süd, ambas pertencentes ao Grupo Oetker. Todas são acionistas do empreendimento.
Como o calado de 16 metros está a 230 metros da costa, a maior parte dos investimentos está sendo aplicada na construção de um pier de 630 metros que liga a praia ao local.
Com a possibilidade de receber navios de maior porte, a intenção dos acionistas do novo porto é de operar cerca de 300 mil contêineres por ano. Para se ter uma ideia, o porto de Paranaguá cujo foco principal é o transporte de grãos movimentou, no ano passado, cerca de 600 mil contêineres. Já o porto de Santos (SP), o maior da América Latina, movimentou 2,6 milhões de TEUs em 2008.
Efeitos
Para o engenheiro civil e conselheiro do Instituto de Engenharia do Paraná (IEP) Euclésio Finatti, o início das operações em Itapoá certamente vai surtir impacto no movimento de Paranaguá.
É fato que o Paraná vai perder alguma coisa", avalia. Para ele, a possibilidade de descarregar contêineres de forma mais rápida a cerca de 100 quilômetros de distância dos portos paranaenses pode fazer com que empresas optem pelo porto de Santa Catarina.
Além disso, analistas também apontam o fato de a Hamburg Süd ser uma das acionistas do porto de Itapoá como relevante para atrair o transporte de contêineres para o local.
Calcula-se que, caso a companhia alemã transfira suas operações no Paraná à cidade catarinense, Paranaguá perderia cerca de 25% de sua movimentação de contêineres.
Contudo, o presidente da holding Batistella, Gerson Schmitt, vê a questão de forma diferente. Apesar de afirmar que, com a vantagem do calado, o porto de Itapoá será imbatível na competição com outros terminais da região, o presidente da holding vê espaço para todos. "Pela situação atual do Brasil, deveríamos ter mais portos. A demanda é muito maior que a capacidade de atendimento atual", afirma.
Para o executivo, como os portos de Paranaguá e São Francisco do Sul, os potenciais maiores concorrentes, se concentram mais em granel, a inauguração do Tecon apenas complementaria um complexo logístico da região.
Projeções da acionista Aliança dão conta de que os estados do Paraná e Santa Catarina devam movimentar, em 2015, dois milhões de contêineres e, em 2020, cerca de três milhões de contêineres. A empresa projeta que Itapoá deverá responder por 20% deste volume.
Com a entrada em operação do porto de Itapoá, o presidente da holding Batistella, Gerson Schmitt, vislumbra, ainda, a possibilidade da consolidação de um polo de escoamento para a América do Sul, na faixa de aproximadamente 400 quilômetros do litoral, que se inicia em Paranaguá e vai até Imbituba, em Santa Catarina, e concentra, hoje, seis portos (Antonina, São Francisco do Sul, Itajaí e Navegantes este também privado são os outros).
"Juntos, teremos condições de escoar mais comércio internacional que o litoral de São Paulo, que é absoluto nesse processo", avalia. Além do calado superior aos portos da região, o engenheiro Euclésio Finatti vê o projeto de Itapoá como grande diferencial. "É uma solução absolutamente limpa e que não prevê áreas portuárias como as famosas no mundo inteiro, que acabam condenadas por receber apenas economia de segunda linha", aponta.
"A estrutura também será altamente tecnológica. Apesar do volume de cargas bastante grande, o porto poderá movimentá-las rapidamente", completa. Segundo Schmitt, a área de expansão também é vantagem. "Itajaí, por exemplo, não tem condições de expandir sem causar transtornos", compara. O acesso ao terminal se dará pela estrada da Serrinha, em construção e com previsão de inauguração para 2010. (HM)
O projeto do porto de Itapoá não é novo. Sua idealização se deu na década de 90, quando o empresário Hildo Battistella sobrevoou o local e percebeu uma cor mais escura no mar da região, o que normalmente indica maior profundidade.
Segundo o presidente da holding Battistella, Gerson Schmitt, foram necessários 12 anos para que se chegasse ao projeto atual. O executivo garante que o empreendimento tem todas as licenças ambientais necessárias. "São mais de 20. Deve ser o porto com mais licenças no País", brinca.
Schmitt também ressalta que o porto não deve ter problemas de mão de obra, ao contrário do que vem acontecendo no terminal de Navegantes o único do Brasil construído apenas com dinheiro da iniciativa privada que, ao tentar expandir as atividades, não encontrou estivadores dispostos a receber menos do que estavam acostumados na região.
"Já estamos trabalhando com o Senai e o Sesi para capacitarmos o máximo possível de trabalhadores locais", diz. Além disso, Schmitt afirma que o nível maior de automação do porto, que usará equipamentos de última geração, exigirá muitos operadores, que também deverão vir preferencialmente da região de Itapoá. (HM)